O ir que não deixa vir.
O crer e ter de conferir.
O sonhar e desiludir.
O pensar sem presumir.
O voar sem querer partir.
O nadar antes de despir.
O questionar para sorrir.
O meditar e dormir.
O espaventar e depois sentir.
O interditar do fluir.
quinta-feira, 17 de novembro de 2011
Cortar as unhas para que o balão não estoure enquanto se segura com força, precioso demais para ir embora assim com tanta tranquilidade.
É bom que mantenham a imagem do balão em suas mentes, pois é exatamente isso. Tão fácil de me escapar por mãos que transpiram...
Fazendo o mesmo caminho, meu pecado está em não sentir onde piso e tentar deduzir pra onde vou. Meu pecado está em precisar de mãos que puxam sem saber, meu pecado está na aprovação dos semelhantes.
Num mundo onde se enxerga melhor de cabeça para baixo, recuso com força a minha inibição natural à gravidade e tento criar raízes, plantar-me em qualquer terreno, sem conseguir identificar o motivo.
Penso que a benção que me foi concedida, não me cabe. Que o meu flutuar reprimido, sofre.
Penso não ser digna das nuvens que me acariciam e o que me preenche não pertence à mim.
O laçar de estrelas e o nascer de sementes frustrando-se mutuamente.
O balão que não deixam escapar para que flua do jeito que há de fluir, sem compreender que para qualquer sopro que o acometa, a resposta será um balançar gracioso e despreocupado.
Que as mãos que transpiram deixem ir, ou que as unhas penetrem. O murchar é desesperador.
É bom que mantenham a imagem do balão em suas mentes, pois é exatamente isso. Tão fácil de me escapar por mãos que transpiram...
Fazendo o mesmo caminho, meu pecado está em não sentir onde piso e tentar deduzir pra onde vou. Meu pecado está em precisar de mãos que puxam sem saber, meu pecado está na aprovação dos semelhantes.
Num mundo onde se enxerga melhor de cabeça para baixo, recuso com força a minha inibição natural à gravidade e tento criar raízes, plantar-me em qualquer terreno, sem conseguir identificar o motivo.
Penso que a benção que me foi concedida, não me cabe. Que o meu flutuar reprimido, sofre.
Penso não ser digna das nuvens que me acariciam e o que me preenche não pertence à mim.
O laçar de estrelas e o nascer de sementes frustrando-se mutuamente.
O balão que não deixam escapar para que flua do jeito que há de fluir, sem compreender que para qualquer sopro que o acometa, a resposta será um balançar gracioso e despreocupado.
Que as mãos que transpiram deixem ir, ou que as unhas penetrem. O murchar é desesperador.
segunda-feira, 31 de outubro de 2011
Depois do achar ser, sei que não. O que era, não passava de mastigar e cuspir.
Até parecia ingerir, até parecia consumido. Podia parecer qualquer coisa,não sei, pode até ser que houvesse prazer, um prazer enganado. Prazer que fingia sem saber que mentia. Era o melhor que podia conforme o vento tocava, apesar do desconforto.
Agora, penso que sei. Penso que vi onde está a pedra e não tem mais de ser mastigada...
Não farei comparações porque não há, é simples. O complicado vem depois.
Ao enxergar, me veio uma mistura de sei lá o que com qualquer coisa, um encontrar sem estar procurando.
Afirmo que agora o questionamento será outro, e a necessidade de confirmação foi-se com o inverno.Fui-me com o inverno, restou o inexplorado.
Delicioso inexplorado, quantos mais hão de vir? Eu não sei e também pouco importa, se acabasse aqui já seria suficiente. Engraçado que suficiente não deixa satisfeito.
A satisfação se faz só agora, enquanto corro linhas abaixo, todas de mim, um eu escorrendo por meio dos dedos de quem cava sem saber que já encontrou. A satisfação só é agora, eu exposta, eu cuspida, eu do avesso.
Que o que influi, misturado, me venha aos poros e se faça vivo para que eu me torne também. De fora pra dentro pois é o que sou. Um fora que invade, vendado, fazendo o que quiser.
Que o intrínseco floresça, mas não deixe de absorver.
Onde a timidez seja formada a partir do pensado e oculto e não do que venha a sair do bolso.
Bolso do peito, o mais secreto.
Até parecia ingerir, até parecia consumido. Podia parecer qualquer coisa,não sei, pode até ser que houvesse prazer, um prazer enganado. Prazer que fingia sem saber que mentia. Era o melhor que podia conforme o vento tocava, apesar do desconforto.
Agora, penso que sei. Penso que vi onde está a pedra e não tem mais de ser mastigada...
Não farei comparações porque não há, é simples. O complicado vem depois.
Ao enxergar, me veio uma mistura de sei lá o que com qualquer coisa, um encontrar sem estar procurando.
Afirmo que agora o questionamento será outro, e a necessidade de confirmação foi-se com o inverno.Fui-me com o inverno, restou o inexplorado.
Delicioso inexplorado, quantos mais hão de vir? Eu não sei e também pouco importa, se acabasse aqui já seria suficiente. Engraçado que suficiente não deixa satisfeito.
A satisfação se faz só agora, enquanto corro linhas abaixo, todas de mim, um eu escorrendo por meio dos dedos de quem cava sem saber que já encontrou. A satisfação só é agora, eu exposta, eu cuspida, eu do avesso.
Que o que influi, misturado, me venha aos poros e se faça vivo para que eu me torne também. De fora pra dentro pois é o que sou. Um fora que invade, vendado, fazendo o que quiser.
Que o intrínseco floresça, mas não deixe de absorver.
Onde a timidez seja formada a partir do pensado e oculto e não do que venha a sair do bolso.
Bolso do peito, o mais secreto.
segunda-feira, 10 de outubro de 2011
Que tempo ruim, esse!
Disse isso à ela, enquanto lavava a louça e eu fumava o meu cachimbo.
Estava na sala e ela na cozinha, só de corpo. Porque nos encontrávamos no meio do caminho. Motivo pelo qual nossas frases sempre eram curtas.
Tempo ruim esse, em que não se fala em outra coisa.
Quando personagens não são criados, e quando são, discutem sobre a mesma coisa. Todos eles.
Que tempo ruim!
Velho mimado, ela dizia. Eu não acho, não acho mimo gostar da preguiça, do tédio e de todos os subterfúgios que posso inventar. Acho que é um direito.
Ela sabia, era só gosto por me contrariar.
Reformei a fachada da casa a pouco, troco balelas com os vizinhos, faço minha parte. Não há do que reclamar. Penso e falo minhas maluquices, há quem pense que é da velhice...besteira. Tudo soa explicável demais para os de meia idade. Tanto faz...
Há quem tem certeza que sabe o que sinto, devem se sentir bem por reduzir meu espírito a meia dúzia de indagações com uma lógica pueril. Eu não me importo, só quero que finalizem logo a "tese" e busquem o que eu pedir. Afinal, sou velho...posso pedir.
Peço e espero, não sai disso. E eu adoro.
Admito que seria melhor se ficassem calados, mas não vou reclamar dessa vez.
O engraçado é que pra pensar tudo isso, três tamboriladas no tampo da mesa, enquanto fumo, já foram suficientes...mas às vezes me vem essa coisa de querer dizer.
Quem olha pra velhos aproveitando uma tarde preguiçosa já nos coloca como inválidos. Inválidos por que? Por ter a pachorra de só tamborilar e tragar por uns quarenta minutos? Isso é saúde, ainda faço os dois ao mesmo tempo. Meus próximos quarenta serão perdidos olhando pras flores bordadas por ela na toalha de mesa, estou desviando o olhar por enquanto para não humilhar o resto da humanidade e fazer os três ao mesmo tempo.
Se rio e me dou o direito de observar formigas por dias, é por plenitude. A piada é sobre vocês.
Assino jornal, fato é que não enchergo muito bem e não tenho paciência de buscar pelos meus óculos que largo sempre na mesma cômoda perto da porta de entrada. O jornal me serve para buscar no contraste das letras negras com o papel, alguns desenhos. Não sei se me fiz claro, bem, é só focar no fundo ao invés de ler. Se não entendeu, azar.
A louça está limpa, tudo acabado. Chega de papo.
Disse isso à ela, enquanto lavava a louça e eu fumava o meu cachimbo.
Estava na sala e ela na cozinha, só de corpo. Porque nos encontrávamos no meio do caminho. Motivo pelo qual nossas frases sempre eram curtas.
Tempo ruim esse, em que não se fala em outra coisa.
Quando personagens não são criados, e quando são, discutem sobre a mesma coisa. Todos eles.
Que tempo ruim!
Velho mimado, ela dizia. Eu não acho, não acho mimo gostar da preguiça, do tédio e de todos os subterfúgios que posso inventar. Acho que é um direito.
Ela sabia, era só gosto por me contrariar.
Reformei a fachada da casa a pouco, troco balelas com os vizinhos, faço minha parte. Não há do que reclamar. Penso e falo minhas maluquices, há quem pense que é da velhice...besteira. Tudo soa explicável demais para os de meia idade. Tanto faz...
Há quem tem certeza que sabe o que sinto, devem se sentir bem por reduzir meu espírito a meia dúzia de indagações com uma lógica pueril. Eu não me importo, só quero que finalizem logo a "tese" e busquem o que eu pedir. Afinal, sou velho...posso pedir.
Peço e espero, não sai disso. E eu adoro.
Admito que seria melhor se ficassem calados, mas não vou reclamar dessa vez.
O engraçado é que pra pensar tudo isso, três tamboriladas no tampo da mesa, enquanto fumo, já foram suficientes...mas às vezes me vem essa coisa de querer dizer.
Quem olha pra velhos aproveitando uma tarde preguiçosa já nos coloca como inválidos. Inválidos por que? Por ter a pachorra de só tamborilar e tragar por uns quarenta minutos? Isso é saúde, ainda faço os dois ao mesmo tempo. Meus próximos quarenta serão perdidos olhando pras flores bordadas por ela na toalha de mesa, estou desviando o olhar por enquanto para não humilhar o resto da humanidade e fazer os três ao mesmo tempo.
Se rio e me dou o direito de observar formigas por dias, é por plenitude. A piada é sobre vocês.
Assino jornal, fato é que não enchergo muito bem e não tenho paciência de buscar pelos meus óculos que largo sempre na mesma cômoda perto da porta de entrada. O jornal me serve para buscar no contraste das letras negras com o papel, alguns desenhos. Não sei se me fiz claro, bem, é só focar no fundo ao invés de ler. Se não entendeu, azar.
A louça está limpa, tudo acabado. Chega de papo.
Assim sigo, num picadeiro de incertezas.
Onde a dedicação parece não provocar aplausos,
o desequilíbrio é eminente
e a noite nunca termina.
As luzes mais ofuscam do que fazem transparecer
qualquer coisa que tenha de ser vista.
A beleza do desacerto não é levada em conta
e o descompasso soa imaturo.
Pois, que imaturo seja!
Que meu desacerto saia pela culatra e se torne alguma coisa...
Que o descompasso dos meus traços formem ângulos retos por brincadeira.
Onde a dedicação parece não provocar aplausos,
o desequilíbrio é eminente
e a noite nunca termina.
As luzes mais ofuscam do que fazem transparecer
qualquer coisa que tenha de ser vista.
A beleza do desacerto não é levada em conta
e o descompasso soa imaturo.
Pois, que imaturo seja!
Que meu desacerto saia pela culatra e se torne alguma coisa...
Que o descompasso dos meus traços formem ângulos retos por brincadeira.
terça-feira, 20 de setembro de 2011
Deixou cair alguma coisa enquanto lavava a louça. Ao levantar os braços para arregaçar as mangas, umas gotas escorreram furtivamente para dentro delas, fazendo com que lembrasse do seu cotovelo.
Cortou as cebolas, as cenouras, os aspargos e sabe-se lá mais o que é colocado em uma sopa. Cortou tudo. A água já fervia e esperava ansiosa pelos ingredientes.
A verdade é, que ninguém gosta de sopa.(quando alguma coisa soa tão evidente aos seus olhos, torna-se verdade absoluta. Mesmo que quase ninguém compartilhe da mesma opinião...)
Ela gostava é do preparo, das cores que se formavam na panela, de se sentir útil, dos murmúrios de satisfação durante o consumo.
Não suportava a consistência e tinha a sopa como um prato insosso.
A troca de prazeres por imprazeres foi interrompida com a conclusão.
O fogo foi apagado e a televisão, ligada.
A novela começara.
Cortou as cebolas, as cenouras, os aspargos e sabe-se lá mais o que é colocado em uma sopa. Cortou tudo. A água já fervia e esperava ansiosa pelos ingredientes.
A verdade é, que ninguém gosta de sopa.(quando alguma coisa soa tão evidente aos seus olhos, torna-se verdade absoluta. Mesmo que quase ninguém compartilhe da mesma opinião...)
Ela gostava é do preparo, das cores que se formavam na panela, de se sentir útil, dos murmúrios de satisfação durante o consumo.
Não suportava a consistência e tinha a sopa como um prato insosso.
A troca de prazeres por imprazeres foi interrompida com a conclusão.
O fogo foi apagado e a televisão, ligada.
A novela começara.
domingo, 18 de setembro de 2011
ultima exposição
Me recuso a participar de patacoadas.
Período atípico, construção do futuro, pontencialidade de sonhos realizados...
É isso que sou e o que quero está bem claro em minha mente. Nada mais.
Nada além me guia ou interfere no meu pensar e agir, nada mais.
O objetivo que move traz frieza, admito. Mas sinto muito, meu bem, sempre haverá um objetivo.
Chame do que quiser, que o egoísmo me leve pra brincar um pouco, não importa.
Deixo tudo que penso bem evidente por onde passo, o mistério que se cria em torno fica por conta do receptor. Aí já não é mais problema meu...
Devo explicações a respeito do que exteriorizo, e sempre o faço.
Repetições dramáticas, afogamentos em poças d'água, isso não. Não há tempo e muito menos espaço, digo isso a longo prazo.
Entendo que dói, mas não é dor de surpresa. Não é dor inesperada...
Se insiste em dizer que me conhece, é assim que eu sou mesmo. Mesmo! Sem surpresas e interpretações descabidas.
Se ao me conhecer (entende-se por conhecer, saber disso tudo) resolver continuar perto, ótimo. Continuaremos tendo momentos incríveis e infindos.
Agora, não tenho controle sobre imagem que é montada a meu respeito dentro da sua mente, faço o que posso para mostrar.
Não preciso de pessoas que me olhem de longe distribuindo minhas migalhas pelo caminho, mas que me ajudem a fazê-lo.
Dizer que é indiferença da minha parte voltar todas as minhas atenções na construção da minha vida e não para palavras mal interpretadas de outro dia, é uma injustiça tremenda. Mas se quiser continuar com essa opinião, não há muito o que se fazer.
É isso que sou.
Não continue com isso, meu bem. Te quero perto.
Período atípico, construção do futuro, pontencialidade de sonhos realizados...
É isso que sou e o que quero está bem claro em minha mente. Nada mais.
Nada além me guia ou interfere no meu pensar e agir, nada mais.
O objetivo que move traz frieza, admito. Mas sinto muito, meu bem, sempre haverá um objetivo.
Chame do que quiser, que o egoísmo me leve pra brincar um pouco, não importa.
Deixo tudo que penso bem evidente por onde passo, o mistério que se cria em torno fica por conta do receptor. Aí já não é mais problema meu...
Devo explicações a respeito do que exteriorizo, e sempre o faço.
Repetições dramáticas, afogamentos em poças d'água, isso não. Não há tempo e muito menos espaço, digo isso a longo prazo.
Entendo que dói, mas não é dor de surpresa. Não é dor inesperada...
Se insiste em dizer que me conhece, é assim que eu sou mesmo. Mesmo! Sem surpresas e interpretações descabidas.
Se ao me conhecer (entende-se por conhecer, saber disso tudo) resolver continuar perto, ótimo. Continuaremos tendo momentos incríveis e infindos.
Agora, não tenho controle sobre imagem que é montada a meu respeito dentro da sua mente, faço o que posso para mostrar.
Não preciso de pessoas que me olhem de longe distribuindo minhas migalhas pelo caminho, mas que me ajudem a fazê-lo.
Dizer que é indiferença da minha parte voltar todas as minhas atenções na construção da minha vida e não para palavras mal interpretadas de outro dia, é uma injustiça tremenda. Mas se quiser continuar com essa opinião, não há muito o que se fazer.
É isso que sou.
Não continue com isso, meu bem. Te quero perto.
terça-feira, 6 de setembro de 2011
Ajo assim que sinto, não tem como. Entendo se se cansarem das minhas idas e vindas, mas preciso delas. Sempre por um propósito diferente, mas preciso.
Às vezes sou demais, outras, de menos...às vezes sou outra coisa.
Mudanças perceptíveis só para quem pode me ver de perto, e essas acabam sendo chacoalhadas e quem dira, sentem enjôo como em uma viagem de navio.
Uma viagem morna, azul, com oscilações premeditadas e tediosas.
O costume chega, faz até ver prazer na situação, mas quando o destino finalmente aparece e os pés são postos no chão, vem o alívio. Inevitavelmente.
Sorte de quem chega. Sorte de quem vai à algum lugar.
Estarei sempre nesse navio morno, que parece cada vez maior a cada parada.
Às vezes sou demais, outras, de menos...às vezes sou outra coisa.
Mudanças perceptíveis só para quem pode me ver de perto, e essas acabam sendo chacoalhadas e quem dira, sentem enjôo como em uma viagem de navio.
Uma viagem morna, azul, com oscilações premeditadas e tediosas.
O costume chega, faz até ver prazer na situação, mas quando o destino finalmente aparece e os pés são postos no chão, vem o alívio. Inevitavelmente.
Sorte de quem chega. Sorte de quem vai à algum lugar.
Estarei sempre nesse navio morno, que parece cada vez maior a cada parada.
quinta-feira, 18 de agosto de 2011
Quando é que vai perceber que a única companhia de que precisa é o próprio mundo?
E a grama que vai ficando pra trás, parecendo sempre a mesma, antes que note que as árvores se aproximam.
Em busca de joaninhas, um campo aberto pede pra ser vasculhado.
Todos falam demais, explicam demais, rodeiam demais.
Eu só quero a tranquilidade das nuvens e a serenidade da brisa.
Nós na garganta são desfeitos assim que o sol queima e as expectativas giram em torno de que cores de flor colher.
A única que preciso carregar e que posso decepcionar, sou eu. Já é fardo suficiente.
Quando a procura por metáforas é grande e os fatos não mudam, é hora de ir.
Sozinha.
Porque nessa vida, sou só eu e as joaninhas.
E a grama que vai ficando pra trás, parecendo sempre a mesma, antes que note que as árvores se aproximam.
Em busca de joaninhas, um campo aberto pede pra ser vasculhado.
Todos falam demais, explicam demais, rodeiam demais.
Eu só quero a tranquilidade das nuvens e a serenidade da brisa.
Nós na garganta são desfeitos assim que o sol queima e as expectativas giram em torno de que cores de flor colher.
A única que preciso carregar e que posso decepcionar, sou eu. Já é fardo suficiente.
Quando a procura por metáforas é grande e os fatos não mudam, é hora de ir.
Sozinha.
Porque nessa vida, sou só eu e as joaninhas.
segunda-feira, 1 de agosto de 2011
Volte depois, amor.
Foi o que eu te disse,
e o que você custa a entender..
Perceba, meu bem, não é questão de ceder.
Não adianta dizer que tudo perdeu a cor
ou que sua vida anda na mesmice,
que lhe vem a vontade de morrer...
volte depois, amor, depois que entender.
Pode curtir tua dor,
por favor, sem criancisse
o único ciúme que pareço ter
é porque acho bonitinho seu jeito de sofrer.
Quando era seu, o meu amor,
se mostrava esperto sem que eu visse,
fazendo seu peito encher
indo e vindo sem ninguém perceber.
Meu bem, o que te fez supor
que eu seria só mais outra...burrice!
agora vai, faz nascer
outro sentimento que não seja fenecer.
Foi o que eu te disse,
e o que você custa a entender..
Perceba, meu bem, não é questão de ceder.
Não adianta dizer que tudo perdeu a cor
ou que sua vida anda na mesmice,
que lhe vem a vontade de morrer...
volte depois, amor, depois que entender.
Pode curtir tua dor,
por favor, sem criancisse
o único ciúme que pareço ter
é porque acho bonitinho seu jeito de sofrer.
Quando era seu, o meu amor,
se mostrava esperto sem que eu visse,
fazendo seu peito encher
indo e vindo sem ninguém perceber.
Meu bem, o que te fez supor
que eu seria só mais outra...burrice!
agora vai, faz nascer
outro sentimento que não seja fenecer.
terça-feira, 26 de julho de 2011
Com um pé em cada prato da balança, tenta-se manter o controle.
Para cada raio de sol negado agora, há mais três no futuro próximo.
Futuro próximo, mais rápido que qualquer suspiro de surpresa.
Difícil é ignorar as tardes de suco de melancia, é negar os passeios sem comprometimento traçados enquanto se caminha.
Às vontades e impulsos que adoram me rodear, peço paciência como uma mãe que nega chocolate ao filho. A potencialidade da felicidade está em seu ápice, borbulhando em mim de tal forma que quase se torna visível na epiderme.
Ano que não acaba, dedicação que falha, distrações irresistíveis.
Ah, insegurança...se eu pudesse, dava um tapa em sua cara.
Para cada raio de sol negado agora, há mais três no futuro próximo.
Futuro próximo, mais rápido que qualquer suspiro de surpresa.
Difícil é ignorar as tardes de suco de melancia, é negar os passeios sem comprometimento traçados enquanto se caminha.
Às vontades e impulsos que adoram me rodear, peço paciência como uma mãe que nega chocolate ao filho. A potencialidade da felicidade está em seu ápice, borbulhando em mim de tal forma que quase se torna visível na epiderme.
Ano que não acaba, dedicação que falha, distrações irresistíveis.
Ah, insegurança...se eu pudesse, dava um tapa em sua cara.
quinta-feira, 14 de julho de 2011
Onde em todo consentimento houvesse rebeldia e assanhamento. Tirasse leões de cartolas e depois as usasse para dar um passeio comigo.
Fazer matutar a seu respeito, murmurando pistas durante toda a vida.
Uma junção de detalhes extremamente harmoniosos e incitantes que me cutucam a cada dia, não deixando cair na sonolência.
Me fazendo absorver cada palavra e admirá-las depois de juntas.
Apaixonar-me pelo meu maior problema.
Fazer matutar a seu respeito, murmurando pistas durante toda a vida.
Uma junção de detalhes extremamente harmoniosos e incitantes que me cutucam a cada dia, não deixando cair na sonolência.
Me fazendo absorver cada palavra e admirá-las depois de juntas.
Apaixonar-me pelo meu maior problema.
segunda-feira, 4 de julho de 2011
Quando começo a querer calcular movimentos demais, é por ter começado a me sentir transparente.
Enquanto vulto, todos cabem na minha casa de bonecas, os levo para brincar onde eu preferir.
Meu contorno pode ser visto quando chego perto, detalhes são percebidos quando me distraio, mas sem hesitar a translucidez me acolhe.
Não sei dizer bem se a opacidade me faz parte assim como qualquer outro resquício que deixo para trás ou se são os outros que me olham com lupas embaçadas.
Não nego que o desespero me acomete, normalmente quando danço sozinha da maneira mais despreocupada que sei e em determinado momento, sem saber o motivo, me questiono se errei ou acertei. Quando há questionamento, há o medo de algum voyeur atento.
Sei que sou só vulto, mas visto de perto, é claro o erro. Erro escancarado, pueril, merecedor de vaias.
Todos agindo normalmente e mesmo assim, consigo ouvir as vaias com clareza. Ouço-as sem ter a certeza do erro e me pergunto agora o porque de ter me perguntado naquele momento.
Agradeço pelas lunetas opacas que me observam a tempo que queria que o desespero provocado pela pausa da dança fosse abafado por mãos que afagam cabelos e puxam os braços em busca de um rodopio.
Não há mais pausa e dança-se a orquestra de assobios com toda a nitidez que lhe é merecida.
Enquanto vulto, todos cabem na minha casa de bonecas, os levo para brincar onde eu preferir.
Meu contorno pode ser visto quando chego perto, detalhes são percebidos quando me distraio, mas sem hesitar a translucidez me acolhe.
Não sei dizer bem se a opacidade me faz parte assim como qualquer outro resquício que deixo para trás ou se são os outros que me olham com lupas embaçadas.
Não nego que o desespero me acomete, normalmente quando danço sozinha da maneira mais despreocupada que sei e em determinado momento, sem saber o motivo, me questiono se errei ou acertei. Quando há questionamento, há o medo de algum voyeur atento.
Sei que sou só vulto, mas visto de perto, é claro o erro. Erro escancarado, pueril, merecedor de vaias.
Todos agindo normalmente e mesmo assim, consigo ouvir as vaias com clareza. Ouço-as sem ter a certeza do erro e me pergunto agora o porque de ter me perguntado naquele momento.
Agradeço pelas lunetas opacas que me observam a tempo que queria que o desespero provocado pela pausa da dança fosse abafado por mãos que afagam cabelos e puxam os braços em busca de um rodopio.
Não há mais pausa e dança-se a orquestra de assobios com toda a nitidez que lhe é merecida.
domingo, 19 de junho de 2011
Relatando mais um sonho.
Cheguei primeiro, havia uma fila enorme atrás de mim, pessoas se empinhocando e gritando. Com medo de não haver espaço, era um" salve-se quem puder".
Estávamos todos num ponto, esperando os nossos navios. Era uma rua, escura, sem asfalto, com moitas e iluminada por dois postes altos, um de cada lado.Me chamaram, era a minha vez de ir pro meu navio...tinha gente querendo roubar meu lugar e eu tinha que correr...peguei minhas coisas com pressa e subi para a popa do meu navio. Estava tudo escuro lá em cima, e tinha artigos circenses, desmontados e cobertos por lonas...era um circo desmontado realmente. E...muito espaço. Me perguntei porque todos estavam se estapeando lá em baixo, se havia lugar pra todos no meu navio...não cheguei a conclusão alguma. Antes que pudesse adentrar muito na popa, um homem (que estava sentado em uns caixotes) me viu e veio até mim e gritou "NÃO SAI DAÍ" e seguiu, sumindo em alguma reentrancia do meu navio...continuei me indagando e resolvi voltar pra fila, onde tava o Filipe IHAUauh
Só que quando cheguei, ele já tinha entrado no navio dele e eu quis ir atrás e fui.
Fiquei perdida lá dentro, parecia um shopping...ele estava tomando suco de laranja falando com outras pessoas e quando me dei conta estava em um quarto estranho. Ouvi crianças no corredor e fui atrás de uma delas, que o pai era advogado. Ele era gordo e usava cartola, disse que eu tinha perdido a prova do Enem por estar no navio errado (DASHIOADSHIOADSHIO) e eu comecei a ficar desesperada. O advogado se ofereceu pra me ajudar, faz uma carta e disse que ia ficar tudo certo, que eu ia poder fazer a prova num outro dia.
Aí me acordaram :) IHADSOIAHDSOIHAODS
Estávamos todos num ponto, esperando os nossos navios. Era uma rua, escura, sem asfalto, com moitas e iluminada por dois postes altos, um de cada lado.Me chamaram, era a minha vez de ir pro meu navio...tinha gente querendo roubar meu lugar e eu tinha que correr...peguei minhas coisas com pressa e subi para a popa do meu navio. Estava tudo escuro lá em cima, e tinha artigos circenses, desmontados e cobertos por lonas...era um circo desmontado realmente. E...muito espaço. Me perguntei porque todos estavam se estapeando lá em baixo, se havia lugar pra todos no meu navio...não cheguei a conclusão alguma. Antes que pudesse adentrar muito na popa, um homem (que estava sentado em uns caixotes) me viu e veio até mim e gritou "NÃO SAI DAÍ" e seguiu, sumindo em alguma reentrancia do meu navio...continuei me indagando e resolvi voltar pra fila, onde tava o Filipe IHAUauh
Só que quando cheguei, ele já tinha entrado no navio dele e eu quis ir atrás e fui.
Fiquei perdida lá dentro, parecia um shopping...ele estava tomando suco de laranja falando com outras pessoas e quando me dei conta estava em um quarto estranho. Ouvi crianças no corredor e fui atrás de uma delas, que o pai era advogado. Ele era gordo e usava cartola, disse que eu tinha perdido a prova do Enem por estar no navio errado (DASHIOADSHIOADSHIO) e eu comecei a ficar desesperada. O advogado se ofereceu pra me ajudar, faz uma carta e disse que ia ficar tudo certo, que eu ia poder fazer a prova num outro dia.
Aí me acordaram :) IHADSOIAHDSOIHAODS
domingo, 22 de maio de 2011
Preciso fazer meu almoço, mas tenho a impressão de que eu é quem vou ser consumida em breve.
Aquela ligeira agonia de presa, que nunca fui, mas consigo imaginar.
Desconforto latente.
Acontece que, se eu fosse realmente uma presa, instintos seriam seguidos e essa lógica que eu penso ter não atrapalharia. Eu não seria engolida por mim tão vorazmente, teria argumentos a meu favor.
Medo de que? Sou eu quem foge e quem persegue.
Às vezes o esconderijo é bom.
E com o cobertor por cima da cabeça finjo que é só o vento arrastando algum carro na rua, que foi apenas uma manada de elefantes que escapou sem querer, não é nada.
É quando dói mais.
Dilacerada para que o intrínseco seja devorado e se transforme em prazer quando relembrado.
Prazer latente.
Aquela ligeira agonia de presa, que nunca fui, mas consigo imaginar.
Desconforto latente.
Acontece que, se eu fosse realmente uma presa, instintos seriam seguidos e essa lógica que eu penso ter não atrapalharia. Eu não seria engolida por mim tão vorazmente, teria argumentos a meu favor.
Medo de que? Sou eu quem foge e quem persegue.
Às vezes o esconderijo é bom.
E com o cobertor por cima da cabeça finjo que é só o vento arrastando algum carro na rua, que foi apenas uma manada de elefantes que escapou sem querer, não é nada.
É quando dói mais.
Dilacerada para que o intrínseco seja devorado e se transforme em prazer quando relembrado.
Prazer latente.
sábado, 19 de março de 2011
Escolher uma realidade para enxergar e de vez em quando, misturar todas.
Fingir que o mundo é meu, que hoje não acaba e que os ventos sopram de acordo com o meu sorriso.
Fazer dos planetas, contas para minha pulseira e andar por aí com quantas órbitas eu quiser presas ao meu pulso.
Prender a respiração pelo tempo que eu quisesse sem ficar roxa, girar sem ficar tonta.
Subir em um balanço e ser lançada por aí com margaridas nos olhos.
Passear por entre as ilustrações de algum livro de contos fugindo do término das páginas.
Escalar torrões de açúcar cantarolando sonatas com as constelações mais próximas.
De que vale tudo isso se os grilos não estiverem perto e eu não puder te ver acenando da outra margem?
Pescar estrelas, morder nuvens e dormir de ponta cabeça.
Cócegas no cutuvelo e pirulitos da sorte.
Cachos no cabelo e beijos no cangote.
Um monte de nada, por todo o hoje em que relógios não existem e os limites são demarcados por feixes coloridos de luz.
Fingir que o mundo é meu, que hoje não acaba e que os ventos sopram de acordo com o meu sorriso.
Fazer dos planetas, contas para minha pulseira e andar por aí com quantas órbitas eu quiser presas ao meu pulso.
Prender a respiração pelo tempo que eu quisesse sem ficar roxa, girar sem ficar tonta.
Subir em um balanço e ser lançada por aí com margaridas nos olhos.
Passear por entre as ilustrações de algum livro de contos fugindo do término das páginas.
Escalar torrões de açúcar cantarolando sonatas com as constelações mais próximas.
De que vale tudo isso se os grilos não estiverem perto e eu não puder te ver acenando da outra margem?
Pescar estrelas, morder nuvens e dormir de ponta cabeça.
Cócegas no cutuvelo e pirulitos da sorte.
Cachos no cabelo e beijos no cangote.
Um monte de nada, por todo o hoje em que relógios não existem e os limites são demarcados por feixes coloridos de luz.
terça-feira, 8 de março de 2011
O QUE VOCÊ ESPERA DE MIM?
Você ficou branco quando eu gritei isso. É, eu me lembro...mesmo depois de tanto tempo.
Pode tirar a opinião que quiser a meu respeito, mas quer a realidade? Sou rasa.
Sou rasa, não causo efeitos, não tenho segredos e quero mais é que todo mundo viva, case, perpetue a espécie e morra. Bem isso.
O que? Te surpreendi de novo? Sei que não. Faz tempo que isso não acontece...
Surpreender com o que? Minha estupidez já é calculável e as atitudes que vou tomar, previsíveis. Por que me olha ainda? Desista. Suma daqui.
Não sou merda nenhuma, não tenho perspectiva de nada e realmente, profundamente, sinceramente, inconsequentemente, inesgotávelmente, propositalmente, vou continuar assim até me esvair pelo universo afora.
Não se assuste, decidi, como ultima boa ventura que me proponho, te avisar a respeito disso.
Então acho bom que se afaste, acho bom que fique longe. Não tenho absolutamente nada a adicionar e não faço diferença alguma sob essa superfície. Acho bom que saiba logo.
Acho bom que saiba logo e que guarde isso na sua mente com todo o carinho porque eu não vou te relembrar...
Só haverá um "eu te avisei" no fim de tudo.
Você ficou branco quando eu gritei isso. É, eu me lembro...mesmo depois de tanto tempo.
Pode tirar a opinião que quiser a meu respeito, mas quer a realidade? Sou rasa.
Sou rasa, não causo efeitos, não tenho segredos e quero mais é que todo mundo viva, case, perpetue a espécie e morra. Bem isso.
O que? Te surpreendi de novo? Sei que não. Faz tempo que isso não acontece...
Surpreender com o que? Minha estupidez já é calculável e as atitudes que vou tomar, previsíveis. Por que me olha ainda? Desista. Suma daqui.
Não sou merda nenhuma, não tenho perspectiva de nada e realmente, profundamente, sinceramente, inconsequentemente, inesgotávelmente, propositalmente, vou continuar assim até me esvair pelo universo afora.
Não se assuste, decidi, como ultima boa ventura que me proponho, te avisar a respeito disso.
Então acho bom que se afaste, acho bom que fique longe. Não tenho absolutamente nada a adicionar e não faço diferença alguma sob essa superfície. Acho bom que saiba logo.
Acho bom que saiba logo e que guarde isso na sua mente com todo o carinho porque eu não vou te relembrar...
Só haverá um "eu te avisei" no fim de tudo.
segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011
O que você quis dizer com aquele papo furado?
Agora o café não tem mais gosto e roer as unhas não funciona.
Roer pra que? Se a unica coisa que queria agora era cravá-las nas suas costas...
Odeio me esticar na cama. Odeio me esticar na cama e não sentir nada além da cama.
Sinto urubus pairando sobre mim nesse instante, entende? Ou talvez eu seja um deles, feio, pescoçudo, em busca de qualquer coisa que cheire a podridão...cheguei a você. Um morto que me deu vida por alguns instantes.
O que dizer a respeito? O que te dizer?
Bem, querido...desculpe. Desculpe, é isso...o que tenho pra dizer. E só.
Agora já foi, agora você já se levantou e saiu andando antes que eu pudesse dar o bote...
Saiu andando sem mim, saiu andando na minha frente e não fez menção de nada.
Não dava nada por você, meu bem, admito, mas me desculpe. Deixei com que escapasse ileso e quem rola aqui sozinha sou eu. Me desculpe.
Rodando nessa merda eu não sei o que pensar e quero que esse quarto branco se apague, me embebedar com a tua ingenuidade e me esconder dentro de alguma caixa.
Aqui jaz um urubu derrotado.
Agora o café não tem mais gosto e roer as unhas não funciona.
Roer pra que? Se a unica coisa que queria agora era cravá-las nas suas costas...
Odeio me esticar na cama. Odeio me esticar na cama e não sentir nada além da cama.
Sinto urubus pairando sobre mim nesse instante, entende? Ou talvez eu seja um deles, feio, pescoçudo, em busca de qualquer coisa que cheire a podridão...cheguei a você. Um morto que me deu vida por alguns instantes.
O que dizer a respeito? O que te dizer?
Bem, querido...desculpe. Desculpe, é isso...o que tenho pra dizer. E só.
Agora já foi, agora você já se levantou e saiu andando antes que eu pudesse dar o bote...
Saiu andando sem mim, saiu andando na minha frente e não fez menção de nada.
Não dava nada por você, meu bem, admito, mas me desculpe. Deixei com que escapasse ileso e quem rola aqui sozinha sou eu. Me desculpe.
Rodando nessa merda eu não sei o que pensar e quero que esse quarto branco se apague, me embebedar com a tua ingenuidade e me esconder dentro de alguma caixa.
Aqui jaz um urubu derrotado.
segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011
Gosto quando minha mãe muda o tempero e pede pra que eu adivinhe o que tem de diferente.
Me lembrei de você outro dia quando ia cantarolando a caminho de qualquer lugar e vi pirulitos na padaria. Não sei qual é o seu sabor favorito, sei que é verde. Pode ser desde limão até jaca..existe pirulito de jaca? Bem, existe árvore de jaca e isso já soa como absurdo...mas existe.
Absurdo é estarmos afastados, absurdo é existir a distância, absurdo é eu não ter um tapete mágico e nem rodinhas nos pés.
Te ver é quase tão bom quanto deixar que o vento sopre minha nuca enquanto transpiro, quase tão bom quanto vertigem. Como deixar-se cair no macio.
Quando disse que gostava de sapatos vermelhos você deu risada, mas eu estava sendo sincero. Te darei sapatos vermelhos e poderei te achar entre qualquer multidão se me abaixar um pouco...mais para saber onde você está do que para ir ao seu encontro, vou me contradizer um pouco agora, preciso da distância...se te tiver a vista.
É gostoso te ver de longe, ver a silhueta e saber o que é e o que guarda, mesmo de longe. Como quando se tira fotos em lugares movimentados com todas aquelas silhuetas e crianças brincando ao fundo e não se sabe nem o nome delas...e eu continuo sabendo o seu, mesmo de longe.
Dedos foram feitos para serem entrelaçados com outros. Mãos conversam e se entendem sem que seus donos saibam. Não há muito a ser feito...
Nunca consegui adivinhar os temperos da minha mãe, e a variação nem é tão grande.
Me lembrei de você outro dia quando ia cantarolando a caminho de qualquer lugar e vi pirulitos na padaria. Não sei qual é o seu sabor favorito, sei que é verde. Pode ser desde limão até jaca..existe pirulito de jaca? Bem, existe árvore de jaca e isso já soa como absurdo...mas existe.
Absurdo é estarmos afastados, absurdo é existir a distância, absurdo é eu não ter um tapete mágico e nem rodinhas nos pés.
Te ver é quase tão bom quanto deixar que o vento sopre minha nuca enquanto transpiro, quase tão bom quanto vertigem. Como deixar-se cair no macio.
Quando disse que gostava de sapatos vermelhos você deu risada, mas eu estava sendo sincero. Te darei sapatos vermelhos e poderei te achar entre qualquer multidão se me abaixar um pouco...mais para saber onde você está do que para ir ao seu encontro, vou me contradizer um pouco agora, preciso da distância...se te tiver a vista.
É gostoso te ver de longe, ver a silhueta e saber o que é e o que guarda, mesmo de longe. Como quando se tira fotos em lugares movimentados com todas aquelas silhuetas e crianças brincando ao fundo e não se sabe nem o nome delas...e eu continuo sabendo o seu, mesmo de longe.
Dedos foram feitos para serem entrelaçados com outros. Mãos conversam e se entendem sem que seus donos saibam. Não há muito a ser feito...
Nunca consegui adivinhar os temperos da minha mãe, e a variação nem é tão grande.
quarta-feira, 19 de janeiro de 2011
Me colocaram dentro de um liquidificador.
Sim, colocaram...não sei quem foi nem porque o fez.
Girando e dilacerando, sou o conhecido e o desconhecido juntos...não sei a que me misturaram.
Tem partes de mim nos outros e parte dos outros em mim. Não houve rejeição ainda, não consigo raciocinar sendo comprimida e liquidificada.
Não paro de girar nessa merda, esperando a homogeneidade...que me parece utópica, sinceramente.
O engraçado, é que a unica criatura que vai consumir isso tudo no final, sou eu mesma.
Um eu estável, grande. Vai beber tudo do próprio copo do liquidificador e lamber os beiços...com calma e deleite.
Arrisco até um sorriso quando terminar...
Sim, colocaram...não sei quem foi nem porque o fez.
Girando e dilacerando, sou o conhecido e o desconhecido juntos...não sei a que me misturaram.
Tem partes de mim nos outros e parte dos outros em mim. Não houve rejeição ainda, não consigo raciocinar sendo comprimida e liquidificada.
Não paro de girar nessa merda, esperando a homogeneidade...que me parece utópica, sinceramente.
O engraçado, é que a unica criatura que vai consumir isso tudo no final, sou eu mesma.
Um eu estável, grande. Vai beber tudo do próprio copo do liquidificador e lamber os beiços...com calma e deleite.
Arrisco até um sorriso quando terminar...
terça-feira, 11 de janeiro de 2011
" [..] Não dormiu logo, por causa de duas rodelas de opala que estavam incrustadas na parede; percebendo que era ainda uma ilusão, fechou os olhos e dormiu. Sonhou que morria, que a alma dela, levada aos ares, voava na direção de uma bela estrela dupla. O astro desdobrou-se, e ela voou para uma das duas porções; não achou ali a sensação primitiva e despenhou-se para outra; igual resultado, igual regresso, e ei-la a andar de uma para outra das duas estrelas separadas. Então uma voz surgiu do abismo, com palavras que ela não entedeu.
- É a tua pena, alma curiosa de perfeição; a tua pena é oscilar por toda a eternidade entre dous astros incompletos, ao som desta velha sonata do absoluto: lá, lá, lá... "
Trecho do conto "Trio em Lá Menor", Machado de Assis
:)
- É a tua pena, alma curiosa de perfeição; a tua pena é oscilar por toda a eternidade entre dous astros incompletos, ao som desta velha sonata do absoluto: lá, lá, lá... "
Trecho do conto "Trio em Lá Menor", Machado de Assis
:)
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