terça-feira, 18 de setembro de 2012
Enquanto o sono não me beija os olhos, os teus me mantém com os meus abertos.
Enquanto a felicidade não me faz mostrar os dentes, roo as unhas dos meus quarenta dedos.
Enquanto o mar não me molha os pés, nossas bacias já estão cheias.
Enquanto o vento não me bagunça os cabelos, lá estão tuas mãos hábeis.
Enquanto o sorvete não derrete, o meu é o seu e o seu é o meu.
Enquanto a claridade faz enrugar a vista, duas sombras gesticulam no asfalto.
Enquanto a música tem de ser inventada na hora, bocas assobiantes não hesitam.
Enquanto o adeus não chega, o universo todo nos observa.
Enquanto a chuva não me refresca a nuca, você se disfarça de ventilador.
Enquanto a fome não acorda o sapo do estômago, os doces já acabaram.
Enquanto o livro soa absurdo à maioria, sorrimos por não amarmos sozinhos.
Enquanto o mundo acaba, a gente dança.
domingo, 9 de setembro de 2012
Todo sonho é parte medo.
Devia se lembrar, às vezes, do feitiço que lhe foi posto assim que ao mundo veio: não existe meio termo. Para toda felicidade profunda que provocar, virão correndo dezenas de diabinhos plantar o futuro sem ressonancia no peito de quem se fez sorrir. Fadada a escalar quase que flutuando qualquer montanha, com a condição de que a descida até o chão seja tortuosa e repleta de espectros de sei lá o que.
Aproveita, menina, enquanto sobe, disseram. Porque a descida dói e não há criatura com quem dividir.
O fardo era esse. Pacote pesado que se carrega nas costas sem ter pra quem entregar.
Toda a graça que esse mundo pode oferecer passará pelas suas mãos, atravessará outra pessoa e quando estiver tão alto que mal pode se enxergar sua silhueta, a descida começa.
Graça que não ressoa mais. Enquanto teu peito ainda arde, a descida começa.
Não vai entender o por que, menina, mas vai deixar de flutuar.
Devia se lembrar, às vezes, do feitiço que lhe foi posto assim que ao mundo veio: não existe meio termo. Para toda felicidade profunda que provocar, virão correndo dezenas de diabinhos plantar o futuro sem ressonancia no peito de quem se fez sorrir. Fadada a escalar quase que flutuando qualquer montanha, com a condição de que a descida até o chão seja tortuosa e repleta de espectros de sei lá o que.
Aproveita, menina, enquanto sobe, disseram. Porque a descida dói e não há criatura com quem dividir.
O fardo era esse. Pacote pesado que se carrega nas costas sem ter pra quem entregar.
Toda a graça que esse mundo pode oferecer passará pelas suas mãos, atravessará outra pessoa e quando estiver tão alto que mal pode se enxergar sua silhueta, a descida começa.
Graça que não ressoa mais. Enquanto teu peito ainda arde, a descida começa.
Não vai entender o por que, menina, mas vai deixar de flutuar.
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