Me colocaram dentro de um liquidificador.
Sim, colocaram...não sei quem foi nem porque o fez.
Girando e dilacerando, sou o conhecido e o desconhecido juntos...não sei a que me misturaram.
Tem partes de mim nos outros e parte dos outros em mim. Não houve rejeição ainda, não consigo raciocinar sendo comprimida e liquidificada.
Não paro de girar nessa merda, esperando a homogeneidade...que me parece utópica, sinceramente.
O engraçado, é que a unica criatura que vai consumir isso tudo no final, sou eu mesma.
Um eu estável, grande. Vai beber tudo do próprio copo do liquidificador e lamber os beiços...com calma e deleite.
Arrisco até um sorriso quando terminar...
quarta-feira, 19 de janeiro de 2011
terça-feira, 11 de janeiro de 2011
" [..] Não dormiu logo, por causa de duas rodelas de opala que estavam incrustadas na parede; percebendo que era ainda uma ilusão, fechou os olhos e dormiu. Sonhou que morria, que a alma dela, levada aos ares, voava na direção de uma bela estrela dupla. O astro desdobrou-se, e ela voou para uma das duas porções; não achou ali a sensação primitiva e despenhou-se para outra; igual resultado, igual regresso, e ei-la a andar de uma para outra das duas estrelas separadas. Então uma voz surgiu do abismo, com palavras que ela não entedeu.
- É a tua pena, alma curiosa de perfeição; a tua pena é oscilar por toda a eternidade entre dous astros incompletos, ao som desta velha sonata do absoluto: lá, lá, lá... "
Trecho do conto "Trio em Lá Menor", Machado de Assis
:)
- É a tua pena, alma curiosa de perfeição; a tua pena é oscilar por toda a eternidade entre dous astros incompletos, ao som desta velha sonata do absoluto: lá, lá, lá... "
Trecho do conto "Trio em Lá Menor", Machado de Assis
:)
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