Deixou cair alguma coisa enquanto lavava a louça. Ao levantar os braços para arregaçar as mangas, umas gotas escorreram furtivamente para dentro delas, fazendo com que lembrasse do seu cotovelo.
Cortou as cebolas, as cenouras, os aspargos e sabe-se lá mais o que é colocado em uma sopa. Cortou tudo. A água já fervia e esperava ansiosa pelos ingredientes.
A verdade é, que ninguém gosta de sopa.(quando alguma coisa soa tão evidente aos seus olhos, torna-se verdade absoluta. Mesmo que quase ninguém compartilhe da mesma opinião...)
Ela gostava é do preparo, das cores que se formavam na panela, de se sentir útil, dos murmúrios de satisfação durante o consumo.
Não suportava a consistência e tinha a sopa como um prato insosso.
A troca de prazeres por imprazeres foi interrompida com a conclusão.
O fogo foi apagado e a televisão, ligada.
A novela começara.
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