Quando começo a querer calcular movimentos demais, é por ter começado a me sentir transparente.
Enquanto vulto, todos cabem na minha casa de bonecas, os levo para brincar onde eu preferir.
Meu contorno pode ser visto quando chego perto, detalhes são percebidos quando me distraio, mas sem hesitar a translucidez me acolhe.
Não sei dizer bem se a opacidade me faz parte assim como qualquer outro resquício que deixo para trás ou se são os outros que me olham com lupas embaçadas.
Não nego que o desespero me acomete, normalmente quando danço sozinha da maneira mais despreocupada que sei e em determinado momento, sem saber o motivo, me questiono se errei ou acertei. Quando há questionamento, há o medo de algum voyeur atento.
Sei que sou só vulto, mas visto de perto, é claro o erro. Erro escancarado, pueril, merecedor de vaias.
Todos agindo normalmente e mesmo assim, consigo ouvir as vaias com clareza. Ouço-as sem ter a certeza do erro e me pergunto agora o porque de ter me perguntado naquele momento.
Agradeço pelas lunetas opacas que me observam a tempo que queria que o desespero provocado pela pausa da dança fosse abafado por mãos que afagam cabelos e puxam os braços em busca de um rodopio.
Não há mais pausa e dança-se a orquestra de assobios com toda a nitidez que lhe é merecida.
a gente sabe que voce nunca vai parar de dançar, menina :)
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