Gosto quando minha mãe muda o tempero e pede pra que eu adivinhe o que tem de diferente.
Me lembrei de você outro dia quando ia cantarolando a caminho de qualquer lugar e vi pirulitos na padaria. Não sei qual é o seu sabor favorito, sei que é verde. Pode ser desde limão até jaca..existe pirulito de jaca? Bem, existe árvore de jaca e isso já soa como absurdo...mas existe.
Absurdo é estarmos afastados, absurdo é existir a distância, absurdo é eu não ter um tapete mágico e nem rodinhas nos pés.
Te ver é quase tão bom quanto deixar que o vento sopre minha nuca enquanto transpiro, quase tão bom quanto vertigem. Como deixar-se cair no macio.
Quando disse que gostava de sapatos vermelhos você deu risada, mas eu estava sendo sincero. Te darei sapatos vermelhos e poderei te achar entre qualquer multidão se me abaixar um pouco...mais para saber onde você está do que para ir ao seu encontro, vou me contradizer um pouco agora, preciso da distância...se te tiver a vista.
É gostoso te ver de longe, ver a silhueta e saber o que é e o que guarda, mesmo de longe. Como quando se tira fotos em lugares movimentados com todas aquelas silhuetas e crianças brincando ao fundo e não se sabe nem o nome delas...e eu continuo sabendo o seu, mesmo de longe.
Dedos foram feitos para serem entrelaçados com outros. Mãos conversam e se entendem sem que seus donos saibam. Não há muito a ser feito...
Nunca consegui adivinhar os temperos da minha mãe, e a variação nem é tão grande.
se é assim, o mundo deveria ser feito de textos ruins!
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