quinta-feira, 17 de novembro de 2011

O ir que não deixa vir.
O crer e ter de conferir.
O sonhar e desiludir.
O pensar sem presumir.
O voar sem querer partir.
O nadar antes de despir.
O questionar para sorrir.
O meditar e dormir.
O espaventar e depois sentir.
O interditar do fluir.
Cortar as unhas para que o balão não estoure enquanto se segura com força, precioso demais para ir embora assim com tanta tranquilidade.
É bom que mantenham a imagem do balão em suas mentes, pois é exatamente isso. Tão fácil de me escapar por mãos que transpiram...
Fazendo o mesmo caminho, meu pecado está em não sentir onde piso e tentar deduzir pra onde vou. Meu pecado está em precisar de mãos que puxam sem saber, meu pecado está na aprovação dos semelhantes.
Num mundo onde se enxerga melhor de cabeça para baixo, recuso com força a minha inibição natural à gravidade e tento criar raízes, plantar-me em qualquer terreno, sem conseguir identificar o motivo.
Penso que a benção que me foi concedida, não me cabe. Que o meu flutuar reprimido, sofre.
Penso não ser digna das nuvens que me acariciam e o que me preenche não pertence à mim.
O laçar de estrelas e o nascer de sementes frustrando-se mutuamente.
O balão que não deixam escapar para que flua do jeito que há de fluir, sem compreender que para qualquer sopro que o acometa, a resposta será um balançar gracioso e despreocupado.
Que as mãos que transpiram deixem ir, ou que as unhas penetrem. O murchar é desesperador.

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Depois do achar ser, sei que não. O que era, não passava de mastigar e cuspir.
Até parecia ingerir, até parecia consumido. Podia parecer qualquer coisa,não sei, pode até ser que houvesse prazer, um prazer enganado. Prazer que fingia sem saber que mentia. Era o melhor que podia conforme o vento tocava, apesar do desconforto.
Agora, penso que sei. Penso que vi onde está a pedra e não tem mais de ser mastigada...
Não farei comparações porque não há, é simples. O complicado vem depois.
Ao enxergar, me veio uma mistura de sei lá o que com qualquer coisa, um encontrar sem estar procurando.
Afirmo que agora o questionamento será outro, e a necessidade de confirmação foi-se com o inverno.Fui-me com o inverno, restou o inexplorado.
Delicioso inexplorado, quantos mais hão de vir? Eu não sei e também pouco importa, se acabasse aqui já seria suficiente. Engraçado que suficiente não deixa satisfeito.
A satisfação se faz só agora, enquanto corro linhas abaixo, todas de mim, um eu escorrendo por meio dos dedos de quem cava sem saber que já encontrou. A satisfação só é agora, eu exposta, eu cuspida, eu do avesso.
Que o que influi, misturado, me venha aos poros e se faça vivo para que eu me torne também. De fora pra dentro pois é o que sou. Um fora que invade, vendado, fazendo o que quiser.
Que o intrínseco floresça, mas não deixe de absorver.
Onde a timidez seja formada a partir do pensado e oculto e não do que venha a sair do bolso.
Bolso do peito, o mais secreto.

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Que tempo ruim, esse!
Disse isso à ela, enquanto lavava a louça e eu fumava o meu cachimbo.
Estava na sala e ela na cozinha, só de corpo. Porque nos encontrávamos no meio do caminho. Motivo pelo qual nossas frases sempre eram curtas.
Tempo ruim esse, em que não se fala em outra coisa.
Quando personagens não são criados, e quando são, discutem sobre a mesma coisa. Todos eles.
Que tempo ruim!
Velho mimado, ela dizia. Eu não acho, não acho mimo gostar da preguiça, do tédio e de todos os subterfúgios que posso inventar. Acho que é um direito.
Ela sabia, era só gosto por me contrariar.
Reformei a fachada da casa a pouco, troco balelas com os vizinhos, faço minha parte. Não há do que reclamar. Penso e falo minhas maluquices, há quem pense que é da velhice...besteira. Tudo soa explicável demais para os de meia idade. Tanto faz...
Há quem tem certeza que sabe o que sinto, devem se sentir bem por reduzir meu espírito a meia dúzia de indagações com uma lógica pueril. Eu não me importo, só quero que finalizem logo a "tese" e busquem o que eu pedir. Afinal, sou velho...posso pedir.
Peço e espero, não sai disso. E eu adoro.
Admito que seria melhor se ficassem calados, mas não vou reclamar dessa vez.
O engraçado é que pra pensar tudo isso, três tamboriladas no tampo da mesa, enquanto fumo, já foram suficientes...mas às vezes me vem essa coisa de querer dizer.
Quem olha pra velhos aproveitando uma tarde preguiçosa já nos coloca como inválidos. Inválidos por que? Por ter a pachorra de só tamborilar e tragar por uns quarenta minutos? Isso é saúde, ainda faço os dois ao mesmo tempo. Meus próximos quarenta serão perdidos olhando pras flores bordadas por ela na toalha de mesa, estou desviando o olhar por enquanto para não humilhar o resto da humanidade e fazer os três ao mesmo tempo.
Se rio e me dou o direito de observar formigas por dias, é por plenitude. A piada é sobre vocês.
Assino jornal, fato é que não enchergo muito bem e não tenho paciência de buscar pelos meus óculos que largo sempre na mesma cômoda perto da porta de entrada. O jornal me serve para buscar no contraste das letras negras com o papel, alguns desenhos. Não sei se me fiz claro, bem, é só focar no fundo ao invés de ler. Se não entendeu, azar.
A louça está limpa, tudo acabado. Chega de papo.
Assim sigo, num picadeiro de incertezas.
Onde a dedicação parece não provocar aplausos,
o desequilíbrio é eminente
e a noite nunca termina.
As luzes mais ofuscam do que fazem transparecer
qualquer coisa que tenha de ser vista.
A beleza do desacerto não é levada em conta
e o descompasso soa imaturo.
Pois, que imaturo seja!
Que meu desacerto saia pela culatra e se torne alguma coisa...
Que o descompasso dos meus traços formem ângulos retos por brincadeira.

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Deixou cair alguma coisa enquanto lavava a louça. Ao levantar os braços para arregaçar as mangas, umas gotas escorreram furtivamente para dentro delas, fazendo com que lembrasse do seu cotovelo.
Cortou as cebolas, as cenouras, os aspargos e sabe-se lá mais o que é colocado em uma sopa. Cortou tudo. A água já fervia e esperava ansiosa pelos ingredientes.
A verdade é, que ninguém gosta de sopa.(quando alguma coisa soa tão evidente aos seus olhos, torna-se verdade absoluta. Mesmo que quase ninguém compartilhe da mesma opinião...)
Ela gostava é do preparo, das cores que se formavam na panela, de se sentir útil, dos murmúrios de satisfação durante o consumo.
Não suportava a consistência e tinha a sopa como um prato insosso.
A troca de prazeres por imprazeres foi interrompida com a conclusão.
O fogo foi apagado e a televisão, ligada.
A novela começara.

domingo, 18 de setembro de 2011

ultima exposição

Me recuso a participar de patacoadas.
Período atípico, construção do futuro, pontencialidade de sonhos realizados...
É isso que sou e o que quero está bem claro em minha mente. Nada mais.
Nada além me guia ou interfere no meu pensar e agir, nada mais.
O objetivo que move traz frieza, admito. Mas sinto muito, meu bem, sempre haverá um objetivo.
Chame do que quiser, que o egoísmo me leve pra brincar um pouco, não importa.
Deixo tudo que penso bem evidente por onde passo, o mistério que se cria em torno fica por conta do receptor. Aí já não é mais problema meu...
Devo explicações a respeito do que exteriorizo, e sempre o faço.
Repetições dramáticas, afogamentos em poças d'água, isso não. Não há tempo e muito menos espaço, digo isso a longo prazo.
Entendo que dói, mas não é dor de surpresa. Não é dor inesperada...
Se insiste em dizer que me conhece, é assim que eu sou mesmo. Mesmo! Sem surpresas e interpretações descabidas.
Se ao me conhecer (entende-se por conhecer, saber disso tudo) resolver continuar perto, ótimo. Continuaremos tendo momentos incríveis e infindos.
Agora, não tenho controle sobre imagem que é montada a meu respeito dentro da sua mente, faço o que posso para mostrar.
Não preciso de pessoas que me olhem de longe distribuindo minhas migalhas pelo caminho, mas que me ajudem a fazê-lo.
Dizer que é indiferença da minha parte voltar todas as minhas atenções na construção da minha vida e não para palavras mal interpretadas de outro dia, é uma injustiça tremenda. Mas se quiser continuar com essa opinião, não há muito o que se fazer.
É isso que sou.

Não continue com isso, meu bem. Te quero perto.