Cheguei primeiro, havia uma fila enorme atrás de mim, pessoas se empinhocando e gritando. Com medo de não haver espaço, era um" salve-se quem puder".
Estávamos todos num ponto, esperando os nossos navios. Era uma rua, escura, sem asfalto, com moitas e iluminada por dois postes altos, um de cada lado.Me chamaram, era a minha vez de ir pro meu navio...tinha gente querendo roubar meu lugar e eu tinha que correr...peguei minhas coisas com pressa e subi para a popa do meu navio. Estava tudo escuro lá em cima, e tinha artigos circenses, desmontados e cobertos por lonas...era um circo desmontado realmente. E...muito espaço. Me perguntei porque todos estavam se estapeando lá em baixo, se havia lugar pra todos no meu navio...não cheguei a conclusão alguma. Antes que pudesse adentrar muito na popa, um homem (que estava sentado em uns caixotes) me viu e veio até mim e gritou "NÃO SAI DAÍ" e seguiu, sumindo em alguma reentrancia do meu navio...continuei me indagando e resolvi voltar pra fila, onde tava o Filipe IHAUauh
Só que quando cheguei, ele já tinha entrado no navio dele e eu quis ir atrás e fui.
Fiquei perdida lá dentro, parecia um shopping...ele estava tomando suco de laranja falando com outras pessoas e quando me dei conta estava em um quarto estranho. Ouvi crianças no corredor e fui atrás de uma delas, que o pai era advogado. Ele era gordo e usava cartola, disse que eu tinha perdido a prova do Enem por estar no navio errado (DASHIOADSHIOADSHIO) e eu comecei a ficar desesperada. O advogado se ofereceu pra me ajudar, faz uma carta e disse que ia ficar tudo certo, que eu ia poder fazer a prova num outro dia.
Aí me acordaram :) IHADSOIAHDSOIHAODS
domingo, 19 de junho de 2011
domingo, 22 de maio de 2011
Preciso fazer meu almoço, mas tenho a impressão de que eu é quem vou ser consumida em breve.
Aquela ligeira agonia de presa, que nunca fui, mas consigo imaginar.
Desconforto latente.
Acontece que, se eu fosse realmente uma presa, instintos seriam seguidos e essa lógica que eu penso ter não atrapalharia. Eu não seria engolida por mim tão vorazmente, teria argumentos a meu favor.
Medo de que? Sou eu quem foge e quem persegue.
Às vezes o esconderijo é bom.
E com o cobertor por cima da cabeça finjo que é só o vento arrastando algum carro na rua, que foi apenas uma manada de elefantes que escapou sem querer, não é nada.
É quando dói mais.
Dilacerada para que o intrínseco seja devorado e se transforme em prazer quando relembrado.
Prazer latente.
Aquela ligeira agonia de presa, que nunca fui, mas consigo imaginar.
Desconforto latente.
Acontece que, se eu fosse realmente uma presa, instintos seriam seguidos e essa lógica que eu penso ter não atrapalharia. Eu não seria engolida por mim tão vorazmente, teria argumentos a meu favor.
Medo de que? Sou eu quem foge e quem persegue.
Às vezes o esconderijo é bom.
E com o cobertor por cima da cabeça finjo que é só o vento arrastando algum carro na rua, que foi apenas uma manada de elefantes que escapou sem querer, não é nada.
É quando dói mais.
Dilacerada para que o intrínseco seja devorado e se transforme em prazer quando relembrado.
Prazer latente.
sábado, 19 de março de 2011
Escolher uma realidade para enxergar e de vez em quando, misturar todas.
Fingir que o mundo é meu, que hoje não acaba e que os ventos sopram de acordo com o meu sorriso.
Fazer dos planetas, contas para minha pulseira e andar por aí com quantas órbitas eu quiser presas ao meu pulso.
Prender a respiração pelo tempo que eu quisesse sem ficar roxa, girar sem ficar tonta.
Subir em um balanço e ser lançada por aí com margaridas nos olhos.
Passear por entre as ilustrações de algum livro de contos fugindo do término das páginas.
Escalar torrões de açúcar cantarolando sonatas com as constelações mais próximas.
De que vale tudo isso se os grilos não estiverem perto e eu não puder te ver acenando da outra margem?
Pescar estrelas, morder nuvens e dormir de ponta cabeça.
Cócegas no cutuvelo e pirulitos da sorte.
Cachos no cabelo e beijos no cangote.
Um monte de nada, por todo o hoje em que relógios não existem e os limites são demarcados por feixes coloridos de luz.
Fingir que o mundo é meu, que hoje não acaba e que os ventos sopram de acordo com o meu sorriso.
Fazer dos planetas, contas para minha pulseira e andar por aí com quantas órbitas eu quiser presas ao meu pulso.
Prender a respiração pelo tempo que eu quisesse sem ficar roxa, girar sem ficar tonta.
Subir em um balanço e ser lançada por aí com margaridas nos olhos.
Passear por entre as ilustrações de algum livro de contos fugindo do término das páginas.
Escalar torrões de açúcar cantarolando sonatas com as constelações mais próximas.
De que vale tudo isso se os grilos não estiverem perto e eu não puder te ver acenando da outra margem?
Pescar estrelas, morder nuvens e dormir de ponta cabeça.
Cócegas no cutuvelo e pirulitos da sorte.
Cachos no cabelo e beijos no cangote.
Um monte de nada, por todo o hoje em que relógios não existem e os limites são demarcados por feixes coloridos de luz.
terça-feira, 8 de março de 2011
O QUE VOCÊ ESPERA DE MIM?
Você ficou branco quando eu gritei isso. É, eu me lembro...mesmo depois de tanto tempo.
Pode tirar a opinião que quiser a meu respeito, mas quer a realidade? Sou rasa.
Sou rasa, não causo efeitos, não tenho segredos e quero mais é que todo mundo viva, case, perpetue a espécie e morra. Bem isso.
O que? Te surpreendi de novo? Sei que não. Faz tempo que isso não acontece...
Surpreender com o que? Minha estupidez já é calculável e as atitudes que vou tomar, previsíveis. Por que me olha ainda? Desista. Suma daqui.
Não sou merda nenhuma, não tenho perspectiva de nada e realmente, profundamente, sinceramente, inconsequentemente, inesgotávelmente, propositalmente, vou continuar assim até me esvair pelo universo afora.
Não se assuste, decidi, como ultima boa ventura que me proponho, te avisar a respeito disso.
Então acho bom que se afaste, acho bom que fique longe. Não tenho absolutamente nada a adicionar e não faço diferença alguma sob essa superfície. Acho bom que saiba logo.
Acho bom que saiba logo e que guarde isso na sua mente com todo o carinho porque eu não vou te relembrar...
Só haverá um "eu te avisei" no fim de tudo.
Você ficou branco quando eu gritei isso. É, eu me lembro...mesmo depois de tanto tempo.
Pode tirar a opinião que quiser a meu respeito, mas quer a realidade? Sou rasa.
Sou rasa, não causo efeitos, não tenho segredos e quero mais é que todo mundo viva, case, perpetue a espécie e morra. Bem isso.
O que? Te surpreendi de novo? Sei que não. Faz tempo que isso não acontece...
Surpreender com o que? Minha estupidez já é calculável e as atitudes que vou tomar, previsíveis. Por que me olha ainda? Desista. Suma daqui.
Não sou merda nenhuma, não tenho perspectiva de nada e realmente, profundamente, sinceramente, inconsequentemente, inesgotávelmente, propositalmente, vou continuar assim até me esvair pelo universo afora.
Não se assuste, decidi, como ultima boa ventura que me proponho, te avisar a respeito disso.
Então acho bom que se afaste, acho bom que fique longe. Não tenho absolutamente nada a adicionar e não faço diferença alguma sob essa superfície. Acho bom que saiba logo.
Acho bom que saiba logo e que guarde isso na sua mente com todo o carinho porque eu não vou te relembrar...
Só haverá um "eu te avisei" no fim de tudo.
segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011
O que você quis dizer com aquele papo furado?
Agora o café não tem mais gosto e roer as unhas não funciona.
Roer pra que? Se a unica coisa que queria agora era cravá-las nas suas costas...
Odeio me esticar na cama. Odeio me esticar na cama e não sentir nada além da cama.
Sinto urubus pairando sobre mim nesse instante, entende? Ou talvez eu seja um deles, feio, pescoçudo, em busca de qualquer coisa que cheire a podridão...cheguei a você. Um morto que me deu vida por alguns instantes.
O que dizer a respeito? O que te dizer?
Bem, querido...desculpe. Desculpe, é isso...o que tenho pra dizer. E só.
Agora já foi, agora você já se levantou e saiu andando antes que eu pudesse dar o bote...
Saiu andando sem mim, saiu andando na minha frente e não fez menção de nada.
Não dava nada por você, meu bem, admito, mas me desculpe. Deixei com que escapasse ileso e quem rola aqui sozinha sou eu. Me desculpe.
Rodando nessa merda eu não sei o que pensar e quero que esse quarto branco se apague, me embebedar com a tua ingenuidade e me esconder dentro de alguma caixa.
Aqui jaz um urubu derrotado.
Agora o café não tem mais gosto e roer as unhas não funciona.
Roer pra que? Se a unica coisa que queria agora era cravá-las nas suas costas...
Odeio me esticar na cama. Odeio me esticar na cama e não sentir nada além da cama.
Sinto urubus pairando sobre mim nesse instante, entende? Ou talvez eu seja um deles, feio, pescoçudo, em busca de qualquer coisa que cheire a podridão...cheguei a você. Um morto que me deu vida por alguns instantes.
O que dizer a respeito? O que te dizer?
Bem, querido...desculpe. Desculpe, é isso...o que tenho pra dizer. E só.
Agora já foi, agora você já se levantou e saiu andando antes que eu pudesse dar o bote...
Saiu andando sem mim, saiu andando na minha frente e não fez menção de nada.
Não dava nada por você, meu bem, admito, mas me desculpe. Deixei com que escapasse ileso e quem rola aqui sozinha sou eu. Me desculpe.
Rodando nessa merda eu não sei o que pensar e quero que esse quarto branco se apague, me embebedar com a tua ingenuidade e me esconder dentro de alguma caixa.
Aqui jaz um urubu derrotado.
segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011
Gosto quando minha mãe muda o tempero e pede pra que eu adivinhe o que tem de diferente.
Me lembrei de você outro dia quando ia cantarolando a caminho de qualquer lugar e vi pirulitos na padaria. Não sei qual é o seu sabor favorito, sei que é verde. Pode ser desde limão até jaca..existe pirulito de jaca? Bem, existe árvore de jaca e isso já soa como absurdo...mas existe.
Absurdo é estarmos afastados, absurdo é existir a distância, absurdo é eu não ter um tapete mágico e nem rodinhas nos pés.
Te ver é quase tão bom quanto deixar que o vento sopre minha nuca enquanto transpiro, quase tão bom quanto vertigem. Como deixar-se cair no macio.
Quando disse que gostava de sapatos vermelhos você deu risada, mas eu estava sendo sincero. Te darei sapatos vermelhos e poderei te achar entre qualquer multidão se me abaixar um pouco...mais para saber onde você está do que para ir ao seu encontro, vou me contradizer um pouco agora, preciso da distância...se te tiver a vista.
É gostoso te ver de longe, ver a silhueta e saber o que é e o que guarda, mesmo de longe. Como quando se tira fotos em lugares movimentados com todas aquelas silhuetas e crianças brincando ao fundo e não se sabe nem o nome delas...e eu continuo sabendo o seu, mesmo de longe.
Dedos foram feitos para serem entrelaçados com outros. Mãos conversam e se entendem sem que seus donos saibam. Não há muito a ser feito...
Nunca consegui adivinhar os temperos da minha mãe, e a variação nem é tão grande.
Me lembrei de você outro dia quando ia cantarolando a caminho de qualquer lugar e vi pirulitos na padaria. Não sei qual é o seu sabor favorito, sei que é verde. Pode ser desde limão até jaca..existe pirulito de jaca? Bem, existe árvore de jaca e isso já soa como absurdo...mas existe.
Absurdo é estarmos afastados, absurdo é existir a distância, absurdo é eu não ter um tapete mágico e nem rodinhas nos pés.
Te ver é quase tão bom quanto deixar que o vento sopre minha nuca enquanto transpiro, quase tão bom quanto vertigem. Como deixar-se cair no macio.
Quando disse que gostava de sapatos vermelhos você deu risada, mas eu estava sendo sincero. Te darei sapatos vermelhos e poderei te achar entre qualquer multidão se me abaixar um pouco...mais para saber onde você está do que para ir ao seu encontro, vou me contradizer um pouco agora, preciso da distância...se te tiver a vista.
É gostoso te ver de longe, ver a silhueta e saber o que é e o que guarda, mesmo de longe. Como quando se tira fotos em lugares movimentados com todas aquelas silhuetas e crianças brincando ao fundo e não se sabe nem o nome delas...e eu continuo sabendo o seu, mesmo de longe.
Dedos foram feitos para serem entrelaçados com outros. Mãos conversam e se entendem sem que seus donos saibam. Não há muito a ser feito...
Nunca consegui adivinhar os temperos da minha mãe, e a variação nem é tão grande.
quarta-feira, 19 de janeiro de 2011
Me colocaram dentro de um liquidificador.
Sim, colocaram...não sei quem foi nem porque o fez.
Girando e dilacerando, sou o conhecido e o desconhecido juntos...não sei a que me misturaram.
Tem partes de mim nos outros e parte dos outros em mim. Não houve rejeição ainda, não consigo raciocinar sendo comprimida e liquidificada.
Não paro de girar nessa merda, esperando a homogeneidade...que me parece utópica, sinceramente.
O engraçado, é que a unica criatura que vai consumir isso tudo no final, sou eu mesma.
Um eu estável, grande. Vai beber tudo do próprio copo do liquidificador e lamber os beiços...com calma e deleite.
Arrisco até um sorriso quando terminar...
Sim, colocaram...não sei quem foi nem porque o fez.
Girando e dilacerando, sou o conhecido e o desconhecido juntos...não sei a que me misturaram.
Tem partes de mim nos outros e parte dos outros em mim. Não houve rejeição ainda, não consigo raciocinar sendo comprimida e liquidificada.
Não paro de girar nessa merda, esperando a homogeneidade...que me parece utópica, sinceramente.
O engraçado, é que a unica criatura que vai consumir isso tudo no final, sou eu mesma.
Um eu estável, grande. Vai beber tudo do próprio copo do liquidificador e lamber os beiços...com calma e deleite.
Arrisco até um sorriso quando terminar...
Assinar:
Postagens (Atom)