Essa noite insisti em dormir de barriga para cima, dei a primeira colherada na boca da ilusão de não ser mais o que eu vinha sendo.
Quis dormir de barriga para cima e boiar no meio daquele cubículo, como se estivesse na água e acordar quando sentisse o calor da lâmpada, feita fogueira, para queimar tudo o que não flutuava.
Alinhar o umbigo à lâmpada amarelada para tentar parir alguma coisa boa que não lembrasse o que foi.
O que é, porque não consegui dormir de barriga para cima.
Me sobrou só a angustia do dormir de bruços, do continuar sendo.
A lâmpada velha não aguentava mais me fitar as costas e a cama não suportava mais o peso do meu peito.
Pegava no sono com medo que o estrado partisse ao meio a qualquer momento, comigo afundando naquela luz amarela.
Por vezes acordei encharcado, não nego, me questionando se era suor ou tinha trazido parte do pesadelo comigo, onde encarava o fundo turvo daquela água.
O turvo de mim.
Você sempre venceu as batalhas contra si mesma, tucha!
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