Que tempo ruim, esse!
Disse isso à ela, enquanto lavava a louça e eu fumava o meu cachimbo.
Estava na sala e ela na cozinha, só de corpo. Porque nos encontrávamos no meio do caminho. Motivo pelo qual nossas frases sempre eram curtas.
Tempo ruim esse, em que não se fala em outra coisa.
Quando personagens não são criados, e quando são, discutem sobre a mesma coisa. Todos eles.
Que tempo ruim!
Velho mimado, ela dizia. Eu não acho, não acho mimo gostar da preguiça, do tédio e de todos os subterfúgios que posso inventar. Acho que é um direito.
Ela sabia, era só gosto por me contrariar.
Reformei a fachada da casa a pouco, troco balelas com os vizinhos, faço minha parte. Não há do que reclamar. Penso e falo minhas maluquices, há quem pense que é da velhice...besteira. Tudo soa explicável demais para os de meia idade. Tanto faz...
Há quem tem certeza que sabe o que sinto, devem se sentir bem por reduzir meu espírito a meia dúzia de indagações com uma lógica pueril. Eu não me importo, só quero que finalizem logo a "tese" e busquem o que eu pedir. Afinal, sou velho...posso pedir.
Peço e espero, não sai disso. E eu adoro.
Admito que seria melhor se ficassem calados, mas não vou reclamar dessa vez.
O engraçado é que pra pensar tudo isso, três tamboriladas no tampo da mesa, enquanto fumo, já foram suficientes...mas às vezes me vem essa coisa de querer dizer.
Quem olha pra velhos aproveitando uma tarde preguiçosa já nos coloca como inválidos. Inválidos por que? Por ter a pachorra de só tamborilar e tragar por uns quarenta minutos? Isso é saúde, ainda faço os dois ao mesmo tempo. Meus próximos quarenta serão perdidos olhando pras flores bordadas por ela na toalha de mesa, estou desviando o olhar por enquanto para não humilhar o resto da humanidade e fazer os três ao mesmo tempo.
Se rio e me dou o direito de observar formigas por dias, é por plenitude. A piada é sobre vocês.
Assino jornal, fato é que não enchergo muito bem e não tenho paciência de buscar pelos meus óculos que largo sempre na mesma cômoda perto da porta de entrada. O jornal me serve para buscar no contraste das letras negras com o papel, alguns desenhos. Não sei se me fiz claro, bem, é só focar no fundo ao invés de ler. Se não entendeu, azar.
A louça está limpa, tudo acabado. Chega de papo.
segunda-feira, 10 de outubro de 2011
Assim sigo, num picadeiro de incertezas.
Onde a dedicação parece não provocar aplausos,
o desequilíbrio é eminente
e a noite nunca termina.
As luzes mais ofuscam do que fazem transparecer
qualquer coisa que tenha de ser vista.
A beleza do desacerto não é levada em conta
e o descompasso soa imaturo.
Pois, que imaturo seja!
Que meu desacerto saia pela culatra e se torne alguma coisa...
Que o descompasso dos meus traços formem ângulos retos por brincadeira.
Onde a dedicação parece não provocar aplausos,
o desequilíbrio é eminente
e a noite nunca termina.
As luzes mais ofuscam do que fazem transparecer
qualquer coisa que tenha de ser vista.
A beleza do desacerto não é levada em conta
e o descompasso soa imaturo.
Pois, que imaturo seja!
Que meu desacerto saia pela culatra e se torne alguma coisa...
Que o descompasso dos meus traços formem ângulos retos por brincadeira.
terça-feira, 20 de setembro de 2011
Deixou cair alguma coisa enquanto lavava a louça. Ao levantar os braços para arregaçar as mangas, umas gotas escorreram furtivamente para dentro delas, fazendo com que lembrasse do seu cotovelo.
Cortou as cebolas, as cenouras, os aspargos e sabe-se lá mais o que é colocado em uma sopa. Cortou tudo. A água já fervia e esperava ansiosa pelos ingredientes.
A verdade é, que ninguém gosta de sopa.(quando alguma coisa soa tão evidente aos seus olhos, torna-se verdade absoluta. Mesmo que quase ninguém compartilhe da mesma opinião...)
Ela gostava é do preparo, das cores que se formavam na panela, de se sentir útil, dos murmúrios de satisfação durante o consumo.
Não suportava a consistência e tinha a sopa como um prato insosso.
A troca de prazeres por imprazeres foi interrompida com a conclusão.
O fogo foi apagado e a televisão, ligada.
A novela começara.
Cortou as cebolas, as cenouras, os aspargos e sabe-se lá mais o que é colocado em uma sopa. Cortou tudo. A água já fervia e esperava ansiosa pelos ingredientes.
A verdade é, que ninguém gosta de sopa.(quando alguma coisa soa tão evidente aos seus olhos, torna-se verdade absoluta. Mesmo que quase ninguém compartilhe da mesma opinião...)
Ela gostava é do preparo, das cores que se formavam na panela, de se sentir útil, dos murmúrios de satisfação durante o consumo.
Não suportava a consistência e tinha a sopa como um prato insosso.
A troca de prazeres por imprazeres foi interrompida com a conclusão.
O fogo foi apagado e a televisão, ligada.
A novela começara.
domingo, 18 de setembro de 2011
ultima exposição
Me recuso a participar de patacoadas.
Período atípico, construção do futuro, pontencialidade de sonhos realizados...
É isso que sou e o que quero está bem claro em minha mente. Nada mais.
Nada além me guia ou interfere no meu pensar e agir, nada mais.
O objetivo que move traz frieza, admito. Mas sinto muito, meu bem, sempre haverá um objetivo.
Chame do que quiser, que o egoísmo me leve pra brincar um pouco, não importa.
Deixo tudo que penso bem evidente por onde passo, o mistério que se cria em torno fica por conta do receptor. Aí já não é mais problema meu...
Devo explicações a respeito do que exteriorizo, e sempre o faço.
Repetições dramáticas, afogamentos em poças d'água, isso não. Não há tempo e muito menos espaço, digo isso a longo prazo.
Entendo que dói, mas não é dor de surpresa. Não é dor inesperada...
Se insiste em dizer que me conhece, é assim que eu sou mesmo. Mesmo! Sem surpresas e interpretações descabidas.
Se ao me conhecer (entende-se por conhecer, saber disso tudo) resolver continuar perto, ótimo. Continuaremos tendo momentos incríveis e infindos.
Agora, não tenho controle sobre imagem que é montada a meu respeito dentro da sua mente, faço o que posso para mostrar.
Não preciso de pessoas que me olhem de longe distribuindo minhas migalhas pelo caminho, mas que me ajudem a fazê-lo.
Dizer que é indiferença da minha parte voltar todas as minhas atenções na construção da minha vida e não para palavras mal interpretadas de outro dia, é uma injustiça tremenda. Mas se quiser continuar com essa opinião, não há muito o que se fazer.
É isso que sou.
Não continue com isso, meu bem. Te quero perto.
Período atípico, construção do futuro, pontencialidade de sonhos realizados...
É isso que sou e o que quero está bem claro em minha mente. Nada mais.
Nada além me guia ou interfere no meu pensar e agir, nada mais.
O objetivo que move traz frieza, admito. Mas sinto muito, meu bem, sempre haverá um objetivo.
Chame do que quiser, que o egoísmo me leve pra brincar um pouco, não importa.
Deixo tudo que penso bem evidente por onde passo, o mistério que se cria em torno fica por conta do receptor. Aí já não é mais problema meu...
Devo explicações a respeito do que exteriorizo, e sempre o faço.
Repetições dramáticas, afogamentos em poças d'água, isso não. Não há tempo e muito menos espaço, digo isso a longo prazo.
Entendo que dói, mas não é dor de surpresa. Não é dor inesperada...
Se insiste em dizer que me conhece, é assim que eu sou mesmo. Mesmo! Sem surpresas e interpretações descabidas.
Se ao me conhecer (entende-se por conhecer, saber disso tudo) resolver continuar perto, ótimo. Continuaremos tendo momentos incríveis e infindos.
Agora, não tenho controle sobre imagem que é montada a meu respeito dentro da sua mente, faço o que posso para mostrar.
Não preciso de pessoas que me olhem de longe distribuindo minhas migalhas pelo caminho, mas que me ajudem a fazê-lo.
Dizer que é indiferença da minha parte voltar todas as minhas atenções na construção da minha vida e não para palavras mal interpretadas de outro dia, é uma injustiça tremenda. Mas se quiser continuar com essa opinião, não há muito o que se fazer.
É isso que sou.
Não continue com isso, meu bem. Te quero perto.
terça-feira, 6 de setembro de 2011
Ajo assim que sinto, não tem como. Entendo se se cansarem das minhas idas e vindas, mas preciso delas. Sempre por um propósito diferente, mas preciso.
Às vezes sou demais, outras, de menos...às vezes sou outra coisa.
Mudanças perceptíveis só para quem pode me ver de perto, e essas acabam sendo chacoalhadas e quem dira, sentem enjôo como em uma viagem de navio.
Uma viagem morna, azul, com oscilações premeditadas e tediosas.
O costume chega, faz até ver prazer na situação, mas quando o destino finalmente aparece e os pés são postos no chão, vem o alívio. Inevitavelmente.
Sorte de quem chega. Sorte de quem vai à algum lugar.
Estarei sempre nesse navio morno, que parece cada vez maior a cada parada.
Às vezes sou demais, outras, de menos...às vezes sou outra coisa.
Mudanças perceptíveis só para quem pode me ver de perto, e essas acabam sendo chacoalhadas e quem dira, sentem enjôo como em uma viagem de navio.
Uma viagem morna, azul, com oscilações premeditadas e tediosas.
O costume chega, faz até ver prazer na situação, mas quando o destino finalmente aparece e os pés são postos no chão, vem o alívio. Inevitavelmente.
Sorte de quem chega. Sorte de quem vai à algum lugar.
Estarei sempre nesse navio morno, que parece cada vez maior a cada parada.
quinta-feira, 18 de agosto de 2011
Quando é que vai perceber que a única companhia de que precisa é o próprio mundo?
E a grama que vai ficando pra trás, parecendo sempre a mesma, antes que note que as árvores se aproximam.
Em busca de joaninhas, um campo aberto pede pra ser vasculhado.
Todos falam demais, explicam demais, rodeiam demais.
Eu só quero a tranquilidade das nuvens e a serenidade da brisa.
Nós na garganta são desfeitos assim que o sol queima e as expectativas giram em torno de que cores de flor colher.
A única que preciso carregar e que posso decepcionar, sou eu. Já é fardo suficiente.
Quando a procura por metáforas é grande e os fatos não mudam, é hora de ir.
Sozinha.
Porque nessa vida, sou só eu e as joaninhas.
E a grama que vai ficando pra trás, parecendo sempre a mesma, antes que note que as árvores se aproximam.
Em busca de joaninhas, um campo aberto pede pra ser vasculhado.
Todos falam demais, explicam demais, rodeiam demais.
Eu só quero a tranquilidade das nuvens e a serenidade da brisa.
Nós na garganta são desfeitos assim que o sol queima e as expectativas giram em torno de que cores de flor colher.
A única que preciso carregar e que posso decepcionar, sou eu. Já é fardo suficiente.
Quando a procura por metáforas é grande e os fatos não mudam, é hora de ir.
Sozinha.
Porque nessa vida, sou só eu e as joaninhas.
segunda-feira, 1 de agosto de 2011
Volte depois, amor.
Foi o que eu te disse,
e o que você custa a entender..
Perceba, meu bem, não é questão de ceder.
Não adianta dizer que tudo perdeu a cor
ou que sua vida anda na mesmice,
que lhe vem a vontade de morrer...
volte depois, amor, depois que entender.
Pode curtir tua dor,
por favor, sem criancisse
o único ciúme que pareço ter
é porque acho bonitinho seu jeito de sofrer.
Quando era seu, o meu amor,
se mostrava esperto sem que eu visse,
fazendo seu peito encher
indo e vindo sem ninguém perceber.
Meu bem, o que te fez supor
que eu seria só mais outra...burrice!
agora vai, faz nascer
outro sentimento que não seja fenecer.
Foi o que eu te disse,
e o que você custa a entender..
Perceba, meu bem, não é questão de ceder.
Não adianta dizer que tudo perdeu a cor
ou que sua vida anda na mesmice,
que lhe vem a vontade de morrer...
volte depois, amor, depois que entender.
Pode curtir tua dor,
por favor, sem criancisse
o único ciúme que pareço ter
é porque acho bonitinho seu jeito de sofrer.
Quando era seu, o meu amor,
se mostrava esperto sem que eu visse,
fazendo seu peito encher
indo e vindo sem ninguém perceber.
Meu bem, o que te fez supor
que eu seria só mais outra...burrice!
agora vai, faz nascer
outro sentimento que não seja fenecer.
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