sábado, 28 de abril de 2012

Lembra do que você estava falando? Então, acho tudo besteira. Juro, acho mesmo, mas não fica triste não. O fato é que graças às besteiras que você disse, eu cheguei à algumas conclusões, que podem ser besteiras também.
Besteiras essas, que são a essência. A minha. Imutável.
Outro fato é que me perco, às vezes esqueço das minhas besteiras e tento viver a dos outros, você sabe. Você sabe, mas você também esquece. Afinal, quantas sou? Nem sei mais a quem me refiro.Mas por me perder, preciso do que faça lembrar, e eu tenho. Meus desenhos, deitar numa mancha de sol, o Filipe. É, eu tenho.
O bom é que o Filipe também lembra dele fazendo essas besteiras, e eu acho ótimo ter companhia, essa companhia.
Mas o ponto não são os lembretes, mas sim o esquecer. O esquecer é bom porque depois de lembrado, sei o valor do esquecido. Enfim...
O esquecer e o lembrar de mim, por mim. Sei lá o que quero dizer...
Estou meio eufórica, meio solta, correndo sozinha nos jardins da cabeça. Gosto de compartilhar o que vejo, mas não quero que ninguém além de todas de mim saiba do que digo por si só. Eu gosto de contar, quando quero contar, se quero contar. É, essa sede de mim invade e eu acabo por querer só isso.
O mistério me faz falta, as cortinas que embaçam, as interrogações. As folhas que só eu vejo.

me mim comigo 
te   ti     contigo



quarta-feira, 11 de abril de 2012

Eu sabia que tinha algo de errado.
Sabia que tinha. Porque há um tempo você deixou de me contar o que lia, rindo das vírgulas e questionando a cor do papel. Passou a ouvir, passou a observar e só.
Sinto falta, sinto falta do seu falar sem fim. Sinto falta de dormir no meio das suas frases intermináveis, sinto falta das risadas e dos assobios. Quando tudo era doce.
Nunca precisávamos de acontecimentos para termos conversas de deixar a boca seca, filosofar a respeito do meio fio e rir um do outro.
Seu silêncio sempre me assustou.
tô triste dum jeito que não ficava há um tempão...
Coloquei isso aqui porque é o melhor que eu posso fazer em relação a isso.

quarta-feira, 4 de abril de 2012

Alguém, por favor, me diz o que que eu faço com o meu não saber o que fazer?
Dizem que somos felizes quando fazemos o que gostamos. Mas a essa altura, nem do que eu gosto eu não sei mais. É fácil dizer que se gosta conforme o que se vê, é fácil dizer que o comportamento provém do que acontece quando a curiosidade de saber o que esta longe da vista e do contexto não aparece.
A vida segue tranquila...porque somos o que somos e é isso o que temos que fazer.
E se eu quiser o que eu não tenho que fazer? E se eu preferir as bordas, os parênteses, as notas de rodapé?
tô morrendo de dor de cabeça.
Deve ser por causa do texto

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Não sei se o que eu devia escrever é um texto ou um email, não sei se o que eu devia sentir era só medo ou medo e desespero...
Já senti os dois, dormi pior do que cachorro de rua e tanto faz se chove ou faz sol.
Não sei o que vai fazer de você, por onde vai, o que vai escolher lembrar de mim...
Estou aqui, como quando suas mãos escorregaram pela minha cintura pela primeira vez.
Como quando o êxtase de felicidade me atingiu.
Sozinha, admito, mas como ninguém se apodera das memórias dos outros, há um certo tipo de segurança. Porque eu sei do que eu vou me lembrar e reviver quando estiver distraída...
O viajar entre as estrelas, pode fazer dos nossos olhos lunetas ou microscópios.
Isso ninguém me tira, nem você. Ninguém me tira a felicidade infinda, sim, infinda.
É uma pena, eu sinto muito por tudo.
Só queria que tudo continuasse sendo possível, por essa e todas as outras noites. Nossas.
A vida é bonita sim, mas eu descobri há um tempo que é linda e explode perto do rosto quando compartilhada com você.
Pense o que quiser, eu não vou mais tentar te convencer de nada, a essa altura não tem mais muito o que dizer. Imagine meus dias como quiser, com quem quiser, com as cores que quiser.
Você não sabe o que se passa por trás dos olhos da ressaca incansável.
Queria, sinceramente, que acreditasse em mim.
Como quando se inspira o perfume de alguma coisa deliciosa.
O peito expande, as costelas se movem, o corpo se esforça pra que caiba mais um pouco do melhor milímetro de atmosfera.
Devagar o ar percorre o tronco, preenche, fazendo com que o vazio que em mim vivia, fosse espremido até o fim.
Me sinto viva, cheia, como se o que tivesse respirado fosse sólido.
O perfume passeia pelas entranhas, faz carinho no peito, cabe direitinho no ápice do esforço dos pulmões e diafragma, me pertence... Todo ele.
Sou obrigada a deixar ir, o que já esteve por mim... Expiro com um pesar enorme, sabendo que o vazio volta.
Deixo ir, modificado, o aroma que me permitiu sentir a mim mesma.

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

É crime sentir insatisfação sobre si mesmo? Pois se for, já preparo os punhos no aguardo das algemas.
Insatisfação? Mas que besteira! Tão jovem, ingressando na universidade, você está indo muito bem.
Pois lhe digo, não estou. Antes que me venha com essa conversa profissional e fútil, quero que escute: A vida toda, fiz o que me era proposto, alcancei o esperado para a minha idade, não decepcionei nem magonei ninguém.
Nunca saí da linha, nunca fugi à regra, nunca escapei nem fiz estripulias. Quando criança, era a primeira (e única) a perguntar: "mas será que pode?" Claro que pode, menina idiota.
A vida é feita do que não podia ser feito e alguém fez. Esse é o ponto, sou covarde.
Tão covarde que admito isso aqui, mas mantenho pose de alguém que não existe.
A coragem que não possuo trouxe a insatisfação e com ela vou ter de me acostumar, pois coragem não se aprende, não se adquire.
Eis que reconheço uma das primeiras constantes da minha vida.


Copia da agenda.