quinta-feira, 24 de maio de 2012

Os diversos tipos de histórias vêm até nós. Mesmo que nao as queiramos, mesmo que fujamos delas.
No ponto de ônibus o companheiro de espera resolve te contar alguma piada, o padeiro sempre comenta pedaços de seu existir entre um troco e outro, as senhoras que adoram tagarelar sobre os tecidos floridos, lembrando dos domingos especiais de suas vidas. As histórias simplesmente vêm até nós.
Sempre fui muito cheio delas, conheci vários homens muito eloquentes, capazes de deixar crianças e velhos boquiabertos com seus desfechos, divertindo uma quantidade considerável de pessoas...só com palavras. Os homens da minha família, todos assim, cheio de histórias. Eu nunca consegui, tinha um certo problema com os personagens, sobretudo os tristes.
Personagens tristes.
Nunca me senti apto a ponto de contar qualquer que fosse, das histórias sofridas que já tinha ouvido. Não mereço aquelas pessoas, aquelas vidas, é preciso um ritual para ouví-las. Não é questão de me alienar da tristeza, é justamente o inverso. Quando ouço palavras de tristeza, todas juntas, num enredo, consigo ver as rugas, o suor, as ruas vazias, a ausência das lágrimas.
A ausência das lágrimas. É desse tipo de história que eu estou falando...odes ao seus protagonistas, ode ao cachorro que passa sem querer pelas linhas, ode ao passarinho cinza do céu cinza do chão cinza do vestido puído. Não mereço contar as que são desse tipo e penso que quem as conta, é munido duma presunção absurda, porque até quem as viveu, nem sob o cano de uma arma contaria, por não importar mais. Por já estar tão nele, que não existe mais história. Existem as rugas, o suor, as ruas vazias e a ausência de lágrimas.
Não mereço esse tipo de história.

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